Associação Cultural Antiproibicionista
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Cuidar não é crime: apoio à SouCannabis

A Associação Cultural Antiproibicionista - Coletivo 420 manifesta solidariedade à SouCannabis, ao Instituto Arandu, ao Céu de Oxóssi, a Derick Rezende e às pessoas atingidas pelos recentes acontecimentos em Anápolis/GO. A nota reafirma a defesa do direito à saúde, da dignidade humana, da liberdade religiosa, da redução de danos e da segurança jurídica para pacientes, associações e iniciativas comunitárias ligadas ao acesso terapêutico à maconha.

Nota pública

A Associação Cultural Antiproibicionista – Coletivo 420 vem a público manifestar solidariedade e apoio à SouCannabis, ao Instituto Arandu, ao Céu de Oxóssi, a Derick Rezende, aos pacientes, familiares, profissionais, voluntários e comunidades atingidas pelos recentes acontecimentos relacionados à chamada Operação Green Lab, em Anápolis/GO.

O caso, inicialmente divulgado pela Polícia Civil de Goiás como uma operação contra suposto “laboratório clandestino”, passou a ser questionado publicamente após informações de que a Justiça teria relaxado as prisões em flagrante e reconhecido ilegalidades na entrada policial no imóvel, conforme noticiado pela imprensa local.

Mais do que uma questão individual, esse episódio atinge um ecossistema de cuidado construído por pacientes, familiares, profissionais da saúde, pesquisadores, movimentos sociais, comunidades religiosas e associações que atuam em defesa do acesso terapêutico à maconha.

Direito à saúde, cuidado e segurança jurídica

A luta pelo acesso terapêutico à maconha não pode ser tratada como caso de polícia quando envolve decisões judiciais, acompanhamento profissional, organização comunitária, práticas de cuidado e compromisso público com a saúde.

Nos últimos anos, o Brasil tem avançado, ainda que lentamente, no reconhecimento do uso medicinal da maconha e na construção de caminhos legais para pacientes e associações. Em 2026, a Anvisa publicou novas regras relacionadas à produção de maconha medicinal, incluindo normas específicas para associações de pacientes sem fins lucrativos, com exigências de controle de qualidade, rastreabilidade e monitoramento.

sse cenário mostra que o debate público não pode ser reduzido a estigma, medo e criminalização. Existem pacientes que dependem desse tratamento. Existem famílias que lutam por qualidade de vida. Existem associações que buscam preencher lacunas deixadas pelo Estado.

Respeito ao devido processo e às garantias fundamentais

Sem prejuízo de qualquer apuração regular, reafirmamos que toda atuação estatal deve respeitar o devido processo legal, a presunção de inocência, a inviolabilidade de domicílio, a liberdade religiosa, o direito à saúde, a dignidade humana e as decisões judiciais em vigor.

Nenhuma abordagem institucional pode ignorar salvo-condutos, autorizações judiciais ou instrumentos legais que protegem pacientes e iniciativas terapêuticas. Quando o Estado desconsidera essas garantias, o resultado é insegurança jurídica, medo e sofrimento para pessoas que já enfrentam barreiras sociais, econômicas e institucionais para acessar tratamento digno.

Contra o estigma e a criminalização do cuidado

Repudiamos narrativas estigmatizantes que confundem cuidado com crime, ciência com ameaça, espiritualidade com suspeição e organização social com clandestinidade.

A SouCannabis, o Instituto Arandu, o Céu de Oxóssi e Derick Rezende integram uma rede de cuidado, solidariedade e transformação que merece respeito, escuta e proteção. Suas trajetórias não podem ser apagadas por abordagens apressadas, exposição pública indevida ou interpretações que desconsiderem o contexto jurídico, social, terapêutico e comunitário de suas atividades.

O Coletivo 420 nasceu para atuar na construção, fiscalização, pesquisa e participação em políticas públicas sobre substâncias psicoativas, com base em direitos humanos, redução de danos, acolhimento, autonomia e superação dos preconceitos. Por isso, nos somamos às vozes que exigem responsabilidade, transparência e respeito aos direitos fundamentais.

Solidariedade também é proteção coletiva

Neste momento, a solidariedade pública é também uma forma de proteção coletiva.

Convidamos associações, movimentos sociais, profissionais da saúde, pesquisadores, comunidades religiosas, agentes públicos e cidadãs e cidadãos comprometidos com a dignidade humana a se manifestarem em apoio à SouCannabis, ao Instituto Arandu, ao Céu de Oxóssi, a Derick Rezende e às pessoas afetadas.

Seguiremos atentos aos desdobramentos do caso e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos pacientes, da redução de danos, da liberdade religiosa, da justiça social, do antiproibicionismo e da regulamentação democrática da maconha para todos os seus usos.

Cuidar não é crime. Acolher não é crime. Lutar por dignidade não é crime.

Goiânia/GO, 15 de junho de 2026.

Associação Cultural Antiproibicionista – Coletivo 420

Autor

  • Coletivo 420

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